Batata une cinco países em intercâmbio técnico

Em 21 de setembro foi comunicada a constituição do Consórcio Regional da Batata/Procisur, tendo como coordenador inicial o pesquisador Arione Pereira, da unidade de pesquisas da Embrapa de Pelotas (RS). Essa aliança regional foi estabelecida a fim de complementar as capacidades dos programas de melhoramento genético, para tornar acessíveis as cultivares de batatas desenvolvidas, em forma conjunta, pelos países que, juntos, respondem pela produção de 6,860 milhões de toneladas de batata, correspondendo a 44,3% de produção na América do Sul, totalizando algo próximo a US$ 2,9 bilhões.

Decorrente de ação de cooperação entre cinco membros do Programa Cooperativo para o Desenvolvimento Agroalimentar e Agroindustrial do Cone Sul (Procisur) – Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai – e aberto a terceiros países, atendendo a demanda dos mercados consumidores, o consórcio pretende intercambiar e testar clones avançados de batata entre os programas de melhoramento das instituições envolvidas para desenvolver cultivares as condições de mercado dos países do Cone Sul, assim como, irão promover e difundir a terceiros países cultivares geradas pelo Consórcio, o qual possui um Comitê Gestor e um Comitê Técnico para o melhor andamento das atividades  desta aliança regional. As instituições que se envolvem nesta aliança são o Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola (INTA/Argentina), a Embrapa, o Instituto de Pesquisa Agrícola do Chile (INIA/Chile), o Instituto Paraguai de Tecnologia Agrícola (IPTA/Paraguai) e o Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola do Uruguai (INIA/Uruguai).

O pesquisador Waldyr Stumpf, do Núcleo de Inteligência, avalia o resultado como gratificante e comenta a articulação feita pela Secretaria Executiva da Embrapa e a Assessoria Técnica do Procisur como importante para a finalização deste processo. “A celebração do Convênio para a constituição do Consórcio Regional de Batata entre os países do Cone Sul demonstra, principalmente, uma nova postura do Procisur no sentido de articular, potencializar e viabilizar ações interinstitucionais com perspectivas de impactos econômicos e sociais positivos para a Região”, pontuou Stumpf. Conforme ele, o convênio possibilitará ampliar e qualificar a articulação e o intercâmbio entre as equipes de pesquisa que passam a formar uma rede de troca de experiências e de inovação.

Ao conjunto, cabe o desenvolvimento de novas cultivares de batata, com vistas ao estabelecimento de programas de melhoramento genético e para ocupação de produtos no mercado. No caso específico do Brasil, a Embrapa possui dezenas de clones e um banco de germoplasma de cerca de 400 acessos. Os programas de melhoramento dos países envolvidos no Consórcio buscam desenvolvimento de cultivares com características similares, como ressaltar o alto teor de matéria seca para fins de industrialização, adaptação à mecanização, qualidade de uso culinário, resistência às principais doenças, entre outras. Uma oportunidade para aumentar a probabilidade de obtenção de novas cultivares, potencializando os esforços e os recursos aplicados pelas instituições.

A cooperação de melhoramento genético da batata se iniciou na década de 1980, entre quatro países, com experiências exitosas, que se refletiu em práticas e técnicas usadas pelos programas. As primeiras iniciativas de cultivares de batata em conjunto se deram entre a Embrapa e o INIA/Chile, obtendo um intercâmbio proveitoso. Mas, somente em 2010, no Peru, surgiu a ideia de criar um instrumento formal que permitisse coordenar e complementar as capacidades dos programas de melhoramento da batata, com cada uma das instituições participantes do Consórcio.

No Brasil, a batata é a hortaliça mais importante, caracterizada pela utilização, em mais de 80% da área cultivada, predominando cultivares desenvolvidas no exterior. No Chile, a batata é a terceira cultura mais importante, com as cultivares desenvolvidas pelo INIA ocupando espaço importante na cadeia da batata daquele país, mas ainda dependente de material estrangeiro. Na Argentina, o portfólio de cultivares é reduzido e a maior parte dos negócios se baseia em uma única cultivar estrangeira. No Uruguai, uma cultivar americana ainda representa aproximadamente 50% da área, e outras cultivares provenientes do Hemisfério Norte também são utilizadas, com pouca participação das cultivares nacionais.

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