IAC realiza a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura com foco em automação, sensoriamento, rastreabilidade e IA

Três em cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo têm origem nos pomares paulistas, onde 90% dos campos citrícolas são instalados com cultivares IAC. Para manter essa excelência, o Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do Instituto Agronômico (IAC) gera e transfere tecnologias, como acotneceu na 51ª Expocitros e na 47ª Semana da Citricultura, de 26 a 29 de maio, em Cordeirópolis (SP). Neste ano, o foco esteve nas inovações tecnológicas que vêm transformando a citricultura: inteligência artificial, automação, sensoriamento e rastreabilidade.

Esiveram reunidos pesquisadores, produtores e empresas para discutir soluções que aumentam a eficiência produtiva e fortalecem a sustentabilidade da cadeia de citros. A edição de 2026 aconteceu em um cenário que combina desafios e oportunidades para a citricultura. Após anos de instabilidade climática, avanço do greening, leprose e aumento de custos, o setor opera com oferta ajustada e alta variação de preços, exigindo decisões cada vez mais estratégicas. A safra de laranja de 2025/2026 foi de 293 milhões de caixas.

Ao longo do evento foram realizados painéis com os principais temas do setor. Após a abertura, a sessão “Sustentabilidade e Inovação” abordou boas práticas na citricultura, modelos sustentáveis e o papel da pesquisa no futuro do setor. Nesta sessão os pesquisadores do IAC, Dirceu Mattos Jr e Helvecio Della Coletta Filho, discorreram, respectivamente, sobre Uma década moldando a citricultura sustentável: ciência, colaboração e caminhos para o futuro do setor e Microbioma rizosférico de citros em áreas comerciais paulistas: da diversidade microbiana à prospecção de bioinsumo.

Enquanto Mattos promoveu uma reflexão sobre as principais transformações da citricultura na última década, desde os desafios impostos por fatores bióticos e abióticos até a consolidação da sustentabilidade como eixo estratégico da competitividade do setor; Coletta apresentou dados obtidos em estudo realizado pelo IAC, com bactérias da rizosfera de plantas de citros, classificando-as para se conhecer o que está presente no seu sistema radicular e que visam a avaliar potenciais efeitos no crescimento da cultura e proteção contra alguns patógenos, por meio de isolados únicos ou em associação.

Temática: Tecnologias para implantação de pomares, fitossanidade e proteção de plantas, com destaque para desafios como leprose, pinta preta e podridão penducular, resistência a fungicidas e manejo de pragas.

No dia 27, os participantes tiveram acesso em primeira mão aos resultados obtidos em avaliações de crescimento vegetativo, sanidade para HLB, ocorrência de pragas e outras doenças, obtidos nos dois primeiros anos de condução de experimento que é parte do projeto em parceria com o Centro de Engenharia da Plasticultura Braskem/FAPESP. As análises foram apresentadas na palestra “Proteção individual de plantas visando à exclusão do psilídeo na formação inicial do pomar”, ministrada pelo pesquisador do IAC, Sérgio Alves de Carvalho.

Na mesma data, os pesquisadores do IAC participaram da mesa redonda “Variedades de citros no Brasil”, moderada pelo pesquisador do IAC, Rodrigo Rocha Latado, tendo como debatedores os cientistas Mariangela Cristofani-Yaly, do IAC; André Vanucci, da Citrosuco; Eduardo Augusto Girardi, da Embrapa Mandioca e Fruticultura; e Walter dos Santos Soares Filho, da Embrapa Mandioca e Fruticultura. E mais: a palestra “Manejo de herbicidas na implantação e formação de pomares de citros” foi apresentada pelo pesquisador do IAC, Rodrigo Martinelli.

No dia 28, a programação abordou gestão e eficiência produtiva, com discussões sobre mercado de fertilizantes, mudanças climáticas, citricultura irrigada e qualidade do solo. A pesquisadora do IAC, Alessandra Alves de Souza, enfocou “Citros geneticamente modificados no controle do HLB: panorama global de estratégias biotecnológicas”.

Dia 29, a sessão de cenários econômicos tratou da importância do suco de laranja na saúde humana, apresentando análises sobre preços, mercado, comércio internacional e impactos do acordo Mercosul–União Europeia na citricultura, além de discussões sobre insumos e competitividade do setor.

Reconhecimentos

Durante a cerimônia de abertura foi entregue a medalha “Mérito Científico D. Pedro II” do Instituto Agronômico para o ex-ministro de Agricultura e Pecuária, Roberto Rodrigues, nascido na fazenda onde funciona o Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis. Esta medalha do IAC tem o objetivo de reconhecer e condecorar personalidades físicas ou jurídicas, civis ou militares, nacionais ou estrangeiras, que tenham contribuído de maneira inigualável para o desenvolvimento científico ou que tenham prestado relevantes serviços ao IAC, ao Estado de São Paulo e para a sociedade. A medalha do IAC foi instituída pelo Decreto Estadual nº 70.137/2025 para celebrar os 200 anos do nascimento de D.Pedro II, como parte das comemorações dos 138 anos do Instituto.

Em 2026, o Prêmio Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura ficou com o pesquisador do IAC, Hamilton Humberto Ramos. O Prêmio GCONCIHall da Fama da Citricultura Brasileira homenageou Walter dos Santos Soares Filho. O Prêmio Centro de Citricultura será dado a José de Alencar Matta.

Ramos ingressou em 1994 como pesquisador científico, no Centro de Engenharia e Automação (CEA) do IAC. De março de 2011 a novembro de 2012, foi diretor-geral do Instituto e, desde 2021, dirige o CEA. Ele é responsável por dois grandes projetos no Instituto: o Aplique Bem e o Programa IAC de Qualidade de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura (QUEPIA). Também coordena o programa Adjuvantes da Pulverização, Drones SP e Unidade de Referência em Produtos Químicos e Biológicos. Os trabalhos objetivam consolidar as boas práticas e a eficácia agronômica no campo, focados na segurança do trabalhador rural aplicador de defensivos agrícolas.

O cientista do IAC é engenheiro agrônomo formado pela Unesp de Jaboticabal e doutor em produção vegetal. É também membro da Comissão de Estudos de Luvas e Vestimentas de Proteção para Riscos Químicos da ABNT e representante do Brasil no Comitê da entidade certificadora global ISO – International Standartization Organization. Integra o Consórcio Mundial para Melhoria de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) na Agricultura.

O GestAgro 360° é apoio de mídia do evento.