O agronegócio brasileiro se destaca em todo o mundo pelo avanço tecnológico, que é responsável por tornar a agricultura mais rentável, produtiva e sustentável. Parte dessa evolução se dá pelo crescimento no número de startups, que apresentam cada vez mais soluções inovadoras.
Além de empresas como a Nordian – plataforma de posicionamento industrial e inteligência de frota para agricultura, transporte e mineração, que anunciou um acordo que a autoriza a revender o serviço de satélite Starlink, ofertando serviço gerenciado que leva posicionamento centimétrico, conectividade resiliente e inteligência de frota para fabricantes (OEMs) industriais (vide texto ao fim desta matéria) -, a Agrishow teve espaços voltados à conexão com produtores e à geração de negócios, reunindo startups e hubs de inovação: o Agrishow Labs e a Arena de Tecnologia e Inovação.
“A inovação no agronegócio deixou de ser um movimento pontual e passou a integrar a base da competitividade do setor. Hoje, o produtor rural tem acesso a soluções que conectam dados, automação e inteligência aplicada ao campo, o que muda a forma de produzir e de tomar decisões. A Agrishow cumpre o papel de aproximar essas tecnologias da realidade das propriedades, criando um espaço onde startups, empresas e produtores podem se encontrar, testar soluções e acelerar a adoção de ferramentas que aumentam eficiência e produtividade”, afirma João Marchesan, presidente da Agrishow.
O objetivo da agricultura de precisão é aplicar insumos, como fertilizantes, água e defensivos na quantidade e local corretos e na melhor hora. Desta forma, o produtor reduz custos, amplia a produtividade e minimiza os impactos ambientais. Isso é possível com o uso de recursos de coleta e análise de dados em tempo real. Novos softwares, aliados à inteligência artificial (iA) analisam o solo e as condições das culturas.
Para atingir essas metas, a agricultura de precisão exige tecnologia avançada, equipamentos de ponta e mão de obra qualificada. O uso de tecnologias como GPS, sensores, inteligência artificial, drones e softwares, formam um ecossistema de gerenciamento agrícola que tem revolucionado o setor no Brasil.
Várias das marcas expositoras da Agrishow mostraram novas tecnologias voltadas à agricultura de precisão nesta edição. A AGTech, por exemplo, apresentou uma linha de soluções para uma agricultura de alta performance, com foco em automação, conectividade e uso de dados em tempo real. O portfólio integra máquinas, sistemas e pessoas para aumentar a eficiência, reduzir custos e otimizar a tomada de decisão no campo, abrangendo desde o plantio até a colheita, com tecnologias como agricultura de precisão e operações com drones.
Outro destaque foi a Sigma, que levou a Estação de Medição de Fluxo de Carbono Sensor Carbon Node LI-720, voltada à quantificação de carbono em sistemas agrícolas, reforçando a importância do monitoramento em projetos de sustentabilidade e mercado de carbono. O portfólio inclui ainda o Sensor de Evapotranspiração LI-710, para monitoramento diário de ET ou FCO2, e o LAI-2200C, utilizado na análise da estrutura das culturas e índice de área foliar.
A Move Agro levou para a Agrishow o Opere+, um aplicativo mobile para gestão de operações com máquinas agrícolas, voltado ao monitoramento e à análise da eficiência operacional no campo. Com o recurso, pequenos e médios produtores podem acompanhar as operações diretamente do celular.
A Sell Agro levou suas tecnologias de aplicação agrícola e suporte técnico ao produtor para atendê-lo em todas as etapas do manejo; a Inarix apresentou ferramentas com inteligência artificial embarcada para ampliar a visão computacional para digitalização e qualificação de processos em tempo real na produção de grãos; e a Hural desenvolveu o Hural Rover, um pulverizador autônomo e elétrico voltado à automação e eficiência operacional.
O PwC Agtech Innovation também contou com um estande no espaço Agrishow Labs, que funcionou como vitrine para startups de sua comunidade, apresentando soluções inovadoras em áreas estratégicas para o Agro, como biotecnologia, agricultura digital aplicada, bioeconomia, manejo de solo, gestão de risco climático e crédito rural.
Na área de biotecnologia no campo, destacou-se a IdeeLab, que atua na transformação de microrganismos em bioinsumos de alta performance para o produtor. Já no segmento de agricultura digital aplicada, o evento reuniu uma grande variedade de soluções tecnológicas: a @Tech utiliza IA para otimizar os lucros na pecuária, enquanto a Agrodata emprega tecnologia infravermelha para detectar precocemente danos e estresse nas plantas. Para o monitoramento inteligente de lavouras via drones e satélites, a AgroScout entra em cena, enquanto a Farm24 atua conectando máquinas e sensores para registrar as atividades em tempo real.
O setor conta ainda com a GeoIA, focada em análises geoespaciais de alta precisão para cana, eucalipto e soja; a MyEasyFarm, que une telemetria a projetos de carbono e indicadores regenerativos; e a Pix2agro, aplicando IA e visão computacional para extrair valor das imagens geradas no campo. Completam esse grupo a SciCrop, especializada em IA e Analytics para a agroindústria; a SIMA, com uma ferramenta offline voltada ao histórico e gestão de manejo por talhão; a Tegra, que une IA e gestão para transformar negócios; e a UpCampo, focada especificamente em organizar a operação das fazendas para reduzir perdas.
A bioeconomia no campo também marcou presença na Agrishow com a presença da BrCarbon, que capacita profissionais de forma prática para o mercado de crédito de carbono; da Fluere, que converte dados em estratégias de descarbonização e acesso a mercados ESG; da Libertas Agro, uma consultoria em agricultura tropical regenerativa voltada à produção de bioinsumos na própria fazenda; e da Silva, agtech que conecta compradores a viveiros para fornecer mudas nativas em escala visando a restauração ecológica.
No cuidado e manejo do solo, o evento levou cinco startups focadas em performance, incluindo três que farão pitches diretamente do palco. As que se apresentarão ao público são: a Cropman, que orienta o manejo em escala sub-hectare usando inteligência de dados; a Stenon, com sensores portáteis para medir nitrogênio, matéria orgânica e umidade do solo em tempo real; e a ByMyCell, voltada para a identificação de microrganismos através da genômica. Além delas, o grupo conta com a B4A, que fornece índices de saúde do solo via sequenciamento genético e machine learning, e a Conex, focada em tornar o preparo do solo um processo mensurável em tempo real, reduzindo custos operacionais.
Para enfrentar o risco climático e promover uma agricultura resiliente, a Aurica apresentou sua plataforma para a gestão de risco socioambiental das cadeias de fornecedores, e a IMBR Agro personaliza as decisões ao avaliar detalhadamente a relação solo-planta-atmosfera. Este eixo também conta com a apresentação de palco (pitch) da Cyan, uma plataforma de monitoramento climático e sensoriamento remoto com informações ultra especializadas para adaptação e mitigação climática.
A rastreabilidade e a eficiência da cadeia ganham destaque em áreas como cadeias curtas e valor ao produto rural, representada pela Agrotrace, que sistematiza dados de campo para qualificar o avanço dos fornecedores em metas de sustentabilidade. No segmento de pós-colheita, armazenamento e logística, o evento traz a Implanta, que conecta a indústria e a distribuição utilizando inteligência de dados para gerar previsibilidade. Para ampliar o acesso a recursos, o setor de crédito para o agro apresenta a Docket, uma infraestrutura de formalização que elimina burocracias por meio da análise de documentos com IA, e a TM Digital, que fornece inteligência financeira e sensoriamento remoto para gerenciar toda a jornada do crédito agrícola. Por fim, na frente de educação, o evento conta com a Agroadvance, uma escola de negócios do agro que forma lideranças e promove inovações focadas em competitividade para o setor.
Nordian e acordo com Starlink
O acordo entre Nordian e Starlink favorece as fabricantes industriais o embarque da plataforma integrada de posicionamento e conectividade da Nordian diretamente na linha de produção, permitindo-lhes levar esses recursos para ambientes desafiadores, como campos isolados, rotas de longa distância e áreas de mineração, onde os sinais de rede são instáveis ou inexistentes. Na prática, máquinas e veículos saem da fábrica já conectados, com a capacidade de transmitir dados em tempo real, receber atualizações remotas e operar com comunicação contínua mesmo em áreas sem cobertura celular.
A iniciativa aborda um desafio estrutural em setores de operações distribuídas e uso intensivo de ativos como agricultura, transporte e mineração: a conectividade ainda é limitada fora dos grandes centros urbanos, restringindo o uso pleno de tecnologias digitais e de automação. Sem conectividade confiável, recursos já disponíveis nas máquinas, como telemetria, automação e análise de dados, acabam subutilizados na maioria das operações.
Até agora, a conectividade via satélite em máquinas exigia altos custos de integração, hardware que não foi construído para ambientes industriais e nenhum caminho autorizado para a produção. A plataforma da Nordian entrega conectividade via satélite pronta para produção juntamente com posicionamento centimétrico e inteligência de frota, disponível para fabricantes como uma única oferta embarcável.
Como revendedora integrada autorizada da Starlink, a Nordian integra seus terminais ao UltraLink, um gateway embarcado e robusto, desenvolvido especificamente para IA Física, que envolve sistemas de inteligência artificial que operam e interagem com o mundo físico, como máquinas autônomas, robôs e automação industrial. O Ultralink unifica posicionamento centimétrico, conectividade via satélite e inteligência de frota em um único dispositivo, com uma camada de gerenciamento que ativa e monitora centenas de equipamentos por meio de um painel e APIs integradas aos sistemas dos fabricantes.
Outro diferencial está no modelo de consumo de dados. A empresa adota um sistema de pool compartilhado entre dispositivos, com cobrança baseada no volume efetivamente utilizado. Este modelo substitui planos de franquia fixa, que são menos eficientes para aplicações de baixo consumo, e permite a otimização de custos em operações com grandes frotas conectadas.
As aplicações se distribuem em três mercados principais. Na agricultura, tratores e colheitadeiras operam com conectividade contínua mesmo em áreas remotas, viabilizando telemetria em tempo real, atualizações remotas e monitoramento operacional. No transporte, veículos em rotas longas mantêm uma conexão estável para os passageiros durante todo o trajeto. Na mineração, equipamentos em áreas isoladas mantêm comunicação constante com os centros de controle, aumentando a eficiência e a segurança das operações.
O acordo também atende à crescente demanda por soluções com respaldo oficial. Como revendedora autorizada da Starlink, a Nordian oferece aos fabricantes o hardware e serviço Starlink, além de uma plataforma de serviço gerenciado com suporte técnico especializado, atuando como a infraestrutura de tecnologia por trás da automação avançada em ambientes operacionais exigentes. A Nordian já está implementada com dezenas de fabricantes de equipamentos, incluindo alguns dos maiores OEMs agrícolas do mundo e 80% das 20 principais empresas agrícolas da América do Sul, com o suporte de mais de 150 estações de posicionamento CORS da Nordian em todo o Brasil e Argentina.








