Suinos, café e açúcar ampliam exportações; frango decresce

As entidades representativas de segmentos específicos do agronegócio estão comemorando os resultados setoriais de exportação em julho, a exemplo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), assim como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Com raras exceções, as vendas internacionais de diversas commodities estão estimuladas, com diversas batendo recordes, como café e carne suína.

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, divulgados na primeira semana de julho pelo CNA/Cepea, apontam crescimento de 4,62% no acumulado de janeiro a maio deste ano em relação ao mesmo período de 2019. Esse resultado foi puxado principalmente pela atividade primária (dentro da porteira), que teve expansão de 11,67% nos cinco primeiros meses de 2020. A alta de preços foi um dos fatores que impulsionou o PIB tanto da agricultura quanto da pecuária.

Suínos – No caso da carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados), as exportações brasileiras totalizaram 100,4 mil toneladas em julho, informa a ABPA.  O saldo supera em 47,9% as vendas realizadas no mesmo período de 2019, com 67,9 mil toneladas. Em receita, o saldo total de julho chegou a US$ 203,1 milhões, número 37,3% superior ao registrado em julho do ano passado, com US$ 147,9 milhões.

No acumulado do ano, as vendas do setor cresceram 38,78%, com 579,9 mil toneladas exportadas entre janeiro e julho deste ano, contra 417,8 mil toneladas exportadas no mesmo período de 2019. Em receita cambial, a alta chega a 49,9%, com US$ 1,279 bilhão, contra US$ 853,5 milhões nos sete primeiros meses do ano passado.

As vendas para os países asiáticos seguem impulsionando os embarques do setor.  A alta das vendas para a região chega a 82,9% na comparação entre janeiro e julho deste ano e o mesmo período de 2019, com 456 mil toneladas exportadas neste ano (equivalente a 78,6% do total exportado pelo setor). 

Apenas para a China foram 282,1 mil toneladas, número 143% superior ao efetivado no mesmo período de 2019. Hong Kong, com 107,7 mil toneladas (+17%), Cingapura, com 32,9 mil toneladas (+49%) e Vietnã, com 16,9 mil toneladas (+90%) também se destacam entre os principais importadores.

Carne de frango – As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 364,6 mil toneladas em julho, volume 5,7% menor em relação ao saldo registrado no mesmo mês de 2019, com 386,9 mil toneladas. No mesmo período, a receita cambial das exportações alcançou US$ 498,2 milhões, número 25% menor em relação ao registrado em julho de 2019, com US$ 664,1 milhões.

Já no acumulado do ano (janeiro-julho), o setor mantém alta positiva de 0,5%, com 2,471 milhões de toneladas exportadas em 2020, contra 2,458 milhões de toneladas em 2019.  O resultado em receita chegou a US$ 3,642 bilhões, número 11,4% menor em relação ao mesmo período comparativo do ano passado, com US$ 4,112 bilhões.

Assim como no setor de suínos, os embarques para a Ásia dão impulso dos negócios do setor. Ao todo, foram exportadas 988,3 mil toneladas para a região entre janeiro e julho, número 12,7% superior ao realizado no mesmo período de 2019, com 876,8 mil toneladas.  Deste total, a China foi destino de 406,8 mil toneladas (+29%).  Cingapura, com 79,8 mil toneladas (+45%), Filipinas, com 50,3 mil toneladas (+64%) e Vietnã, com 25,5 mil toneladas (+88%) foram os destaques.

Café

Em julho deste ano, de acordo com dados do Cecafé, o País exportou 3 milhões de sacas de café, considerando a soma de café verde, solúvel e torrado & moído. O volume representa o segundo recorde histórico de exportações brasileiras de café para um mês de julho já registrado, apesar do atual cenário de pandemia por coronavírus. A receita cambial gerada pelos embarques foi de US$ 356,8 milhões, equivalente a R$ 1,9 bilhão, o que representa um aumento de 22,3% em reais em relação a julho de 2019. Já o preço médio da saca de café foi de US$ 117,4.

Em relação às variedades embarcadas no mês, o café arábica correspondeu a 74,4% do volume total das exportações, equivalente a 2,3 milhões de sacas. O café conilon (robusta) atingiu a participação de 14,7%, com o embarque de 446,4 mil sacas, enquanto que o solúvel representou 10,9% das exportações, com 331,8 mil sacas exportadas.

Ano civil – No período de janeiro a julho deste ano, as exportações de café atingiram 22,9 milhões de sacas. Neste caso, o volume exportado também representa o segundo recorde histórico de exportações brasileiras de café para o mundo no período. A receita cambial foi de US$ 3 bilhões, equivalente a R$ 14,7 bilhões, crescimento de 29% em reais em relação ao período anterior. Já o preço médio foi de US$ 128,9/saca, registrando crescimento de 3,2%.

Entre as variedades embarcadas de janeiro a julho, o café arábica representou 78,4% do volume total exportado, equivalente a 18 milhões de sacas, enquanto que o café conilon (robusta) atingiu a participação de 11,2%, com o embarque de 2,6 milhões de sacas, e o solúvel representou 10,3%, com 2,4 milhões de sacas. Entre as variedades, as exportações de conilon se destacaram no período ao registrarem crescimento de 15% em relação a janeiro a julho de 2019.

Cafés diferenciados – No ano civil, o Brasil exportou 3,8 milhões de sacas de cafés diferenciados (que são os cafés que têm qualidade superior ou algum tipo de certificado de práticas sustentáveis). O volume, que foi o segundo maior embarcado para o período nos últimos cinco anos, corresponde a 16,6% do total de café exportado de janeiro a julho deste ano.

A receita cambial gerada com a exportação de cafés diferenciados do Brasil foi de US$ 625,6 milhões, representando 21,1% do total gerado pelo Brasil em receita com as exportações no ano civil de 2020 até agora.

Principais destinos – No ano civil  (jan-jul), os dez principais destinos de café brasileiro  foram: os Estados Unidos, que importaram 4,3 milhões de sacas de café (18,6% do total embarcado no período); a Alemanha, com 3,9 milhões de sacas importadas (17,1% da participação total no período); Itália, com 1,8 milhão de sacas (8,1%); Bélgica, com 1,7 milhão (7,2%); Japão, com 1,2 milhão de sacas (5,1%); Federação Russa, com 755,8 mil sacas (3,3%); Turquia, com 736,4 mil sacas (3,2%); Espanha, com 568 mil sacas (2,5%); México, com 537,4 mil sacas (2,3%) e Canadá, com 482,5 mil sacas (2,1%).

Entre os principais destinos, o México e a Federação Russa registraram os maiores crescimentos no consumo de café brasileiro no ano civil, com aumento de 31,3% e 22,2%, respectivamente.

Já entre os continentes e blocos econômicos destacam-se o crescimento de 21,1% nas exportações para os países da América do Sul; 49,8% para a África; 94,8% para a América Central; 24,5% para os países do BRICS; 15,6% para o Leste Europeu, além do aumento de 41,3% nos embarques para os países produtores de café.

Já no caso dos cafés diferenciados, os principais destinos de cafés diferenciados foram: EUA, que importaram 660,7 mil sacas (17,3% do volume total do tipo de café embarcado no ano civil); Alemanha, com 551,2 mil sacas (14,4% de participação); Bélgica, com 486 mil sacas (12,7%); Japão, com 326 mil sacas (8,5%); Itália, com 271,6 mil sacas (7,1%); Espanha, com 176,4 mil sacas (4,6%); Reino Unido, com 140,7 mil sacas (3,7%); Suécia, com 127,6 mil sacas (3,3%); Canadá, com 112,5 mil sacas (2,9%) e Países Baixos, com 100,7 mil sacas (2,6%).

Açúcar, frutas e nozes

As exportações brasileiras de açúcar tiveram alta de receita de 84% em julho em relação ao mesmo período de 2019, de acordo com o boletim semanal da CNA, referente ao período de 3 a 7 de agosto. Contribuíram para este resultado a maior destinação de cana pelas usinas para a produção de açúcar, safra adiantada e problemas na produção dos principais países concorrentes do Brasil.

As exportações de frutas e nozes não oleaginosas no mês de julho já apresentaram sinais de recuperação, com crescimento de 11% em valor e 35% em volume em relação ao mesmo mês do ano passado. Porém, importantes polos produtores de frutas como Rio Grande do Norte, Ceará e Vale do São Francisco preparam para intensificar as exportações ainda em julho.