O comportamento da demanda compradora pelos grandes players globais das safras de milho, soja e trigo, como China e Estados Unidos, o protagonismo brasileiro na produção e na exportação de soja e milho, o cenário de setor de volatilidade e oportunidades de demanda da proteína animal, ao lado de impactos do clima, das tensões geopolíticas e dos custos de produção sobre o agronegócio global, foram temas enfocados pela equipe da DSM-Firmenich na apresentação do Relatório Global de Micotoxinas do primeiro semestre de 2026, para jornalistas, realizado em São Paulo (SP), em 9 de setembro.
“O agronegócio global vive um momento em que a previsibilidade depende diretamente do acesso a dados e ciência aplicada. Nosso objetivo é levar aos produtores e parceiros informações estratégicas que ajudem a antecipar cenários de mercado e contribuir para a maior eficiência e produtividade das operações”, destacou Luiz Magalhães, presidente de Nutrição e Saúde Animal da DSM-Firmenich para a América Latina, durante o evento.
Entre os pontos principais do relatório, está a combinação de fatores climáticos (como as transições entre El Niño e La Niña), tensões geopolíticas e oscilações nos preços de energia e fertilizantes continuam a desafiar as cadeias produtivas globais, exigindo mais eficiência, planejamento e uso de tecnologia por parte dos produtores. Destaque também para alerta sobre contaminações combinadas nos grãos, pois as microtoxinas – são conhecidos mais de 1.000 desses microorganismos – afetam o rendimento e a produtividade dos rebanhos de monogástricos, atuando na qualidade e no desenvolvimento dos animais.
Com esse relatório, a empresa busca antecipar para o produtor rural os riscos e apontar soluções via aplicação de tecnologias de Inteligência Artificial e modelos preditivos surgem como aliadas para mitigar riscos no campo.
No mercado de grãos, a apresentação, feita por Adolfo Fontes – especialista em Inteligência de Negócios da DSM-Firmenich -, apontou que, embora a oferta global de milho e trigo apresente variações — com a produção norte-americana de milho alcançando cerca de 406 milhões de toneladas e o Brasil projetando safra de 139 milhões de toneladas para a safra 2026/27 —, os custos de produção e a logística continuam pressionados pela volatilidade do petróleo e dos insumos. Já a soja brasileira segue em patamares recordes de produção e exportação, impulsionada pela demanda internacional, com projeções que atingem 186 milhões de toneladas na safra atual.
No segmento de proteína animal, o setor de aves demonstra resiliência, impulsionado pela demanda por proteínas acessíveis e pela estabilização da relação de troca entre o frango e os grãos. Por outro lado, as cadeias de bovinos de corte e suínos enfrentam margens mais ajustadas em diferentes mercados mundiais.
Segundo Fontes, “as tensões geopolíticas, somadas aos efeitos do El Niño em importantes regiões produtoras, continuam gerando volatilidade em toda a cadeia de valor. No entanto, a perspectiva de longo prazo para a produção de grãos e carnes na América Latina continua positiva, apoiada pelo ganho contínuo de produtividade por hectare e pelo crescimento populacional global.”
O Relatório World Mycotoxin Survey H1 2026 – como apresentado por Augusto Heck, gerente de micotoxinas para a América Latina da DSM-Firmenich – traz um levantamento mais longevo do setor sobre a presença de micotoxinas em matérias-primas e rações ao redor do mundo. Os dados revelam que 85% das amostras analisadas no período apresentaram contaminação por pelo menos uma micotoxina, sendo que a coocorrência (presença de duas ou mais toxinas simultâneas) é a regra na maioria das matérias-primas agrícolas, gerando efeitos sinérgicos e aditivos nocivos à saúde animal.
O relatório detalhou os impactos de toxinas como Aflatoxinas (AFLA), Fumonisinas (FUM), Deoxinivalenol (DON/Vomitoxina) e Zearalenona (ZEA) sobre o desempenho de suínos, aves, ruminantes e aquacultura. O estresse hídrico nos períodos de plantio seguido de chuvas na colheita acelerou a incidência de fungos dos gêneros Aspergillus e Fusarium nas lavouras da região.
“As micotoxinas representam um desafio invisível, mas com impacto econômico real. Mesmo em doses subclínicas, elas provocam imunossupressão, lesões intestinais, piora na conversão alimentar e falhas vacinais. O monitoramento constante dos ingredientes é indispensável para evitar perdas silenciosas na granja ou no confinamento”, alerta Heck.
Mitigação de riscos
Letícia Cardoso, gerente de Serviços de Precisão da DSM-Firmenich para a América Latina, por sua vez, destacou a evolução dos serviços de precisão e das ferramentas preditivas aplicadas à nutrição animal, basicamente pela utilização de soluções baseadas em machine learning e Inteligência Artificial, como a Mycotoxins Prediction Tool, além de testes rápidos de screening (ELISA e fluxo lateral) e biomarcadores sanguíneos, que permitem diagnosticar o nível de risco antes mesmo que a ração chegue ao trato do animal.
“Tornar o risco invisível visível é o papel da tecnologia. Ao integrar dados de análises laboratoriais em tempo real e algoritmos preditivos, conseguimos entender como as micotoxinas impactam na saúde das aves e orientar a melhor estratégia de uso dos biotransformadores e adsorventes de alta eficiência, assegurando o investimento do produtor e a máxima eficiência produtiva dos animais”, concluiu Cardoso.
Foto: DSM-Firmenich









