Indústria de alimentos planeja crescer até 4% em vendas

Listado como o setor da indústria que mais emprega no País, o setor formado pelas indústrias de alimentos é congrega 35,7 mil empresas, responde por 1,61 milhão de empregos diretos, o correspondente a 26,8% dos empregos da indústria de transformação. Hoje, com a previsão de implementação das reformas previdenciária e tributária, que resultem em maior estímulo ao empreendedorismo e à produtividade, a expectativa é de recuperação, elevando o número de empregos diretos e formais entre 2% e 3%.

A essa expectativa, a indústria de alimentos, segundo informações da ABIA – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, agrega a perspectiva de aumento de 2,5% a 3% da produção física (volume), de 3% a 4% das vendas reais e cerca de US$ 40 bilhões nas exportações.

“Estamos otimistas em relação ao aquecimento do mercado esperado em 2019 e acreditamos que a indústria de alimentos terá um desempenho positivo com aumento de produção, vendas ao mercado interno e exportações”, comenta Wilson Mello, presidente do Conselho Diretor da ABIA.

Esses números são ainda mais significativos quando se leva em consideração o bom resultado de 2018, quando o setor registrou crescimento de 2,08% em faturamento no ano de 2018,

atingindo R$ 656 bilhões, somadas exportação e vendas para o mercado interno, o que representa 9,6% do PIB, segundo a pesquisa conjuntural da ABIA – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos. Além disso, as empresas do setor investem cerca de 3% do faturamento anual em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), novas plantas, novos produtos e marketing e, em alimentos processados, participam com  50% das exportações do agronegócio de alimentos e 18% das exportações totais brasileiras.

“Alguns fatores condicionaram positivamente o desempenho do setor de alimentos nesse ano, como o saldo de emprego, que ficou positivo em 0.5%, gerando novos postos de trabalho e indicando que as indústrias de alimentos estavam alinhadas com a expectativa de um novo ciclo de expansão. Importante também destacar a força do setor, que registrou uma contribuição significativa na balança comercial brasileira, respondendo por 50,3% do saldo total”, declara João Dornellas, presidente executivo da ABIA.

Balanço

Em 2018, segundo balanço divulgado pela ABIA, a indústria de alimentos gerou 13 mil novos postos de trabalho no período. O total de investimentos em ativos e fusões e aquisições alcançou R$ 21,4 bilhões, registrando um aumento de 13,4%, contra R$ 18,9 bilhões registrados em 2017. O desempenho do consumo no mercado interno se manteve e absorve cerca de 80% das vendas da indústria. O crescimento foi de 4.3%, somando-se o crescimento das vendas no varejo e no segmento de alimentação fora do lar (food service).

Os setores que mais se destacaram em vendas reais foram óleos e gorduras (óleos vegetais, azeite, margarina e farelo de soja), com aumento de 12%; conservas de vegetais/frutas e sucos (extrato de tomate, milho, goiabada e sucos de laranja), 11,2%; desidratados e supergelados (pratos prontos e semiprontos congelados), 5,3%; bebidas (águas, refrigerantes etc), 4,3% e proteína animal, 4,1%.

Já em faturamento, o crescimento de óleos e gorduras foi 13,5%; conservas de vegetais/frutas e sucos, 12,8%; bebidas 5,8%; proteína animal, 5,6% e desidratados e supergelados 6,8%.

Em relação à participação dos principais setores em faturamento, a categoria de proteína animal correspondeu a 22,1%, bebidas 19,7%, laticínios 10,5%, café, chás e cereais 10,2%, óleos e gorduras 9% e derivados de trigo 5,7%.

Importância da indústria para o agronegócio brasileiro

A indústria de alimentos processa 58% de toda a produção agropecuária brasileira. A participação das aquisições de matérias-primas pela indústria de alimentos se mantém nos mesmos patamares, sendo Proteínas Animais 100%, seguido da Cadeia de Trigo e Cadeia do Arroz que representam 95%.

Exportações de Alimentos Industrializados  – O Brasil é o segundo maior exportador de alimentos industrializados do mundo. O setor exportou para mais de 180 países, o que representou 19,3% do volume total de vendas.

Destaque significativo ficou para a China, que além de ser o principal importador do Brasil, registrou um aumento de 37,6% em relação a 2017. A Holanda apresentou crescimento de 4%, seguido dos Estados Unidos que apresentou crescimento de 3%.

No ano, as exportações apresentaram uma queda na ordem de 9,8%, fechando 2018 em US$ 35,1 bilhões de alimentos industrializados contra US$ 38,9 bilhões registrados em 2017.

Dentre os principais destinos das exportações destacam-se a China, com US$ 3,30 bilhões; Holanda, com US$ 2,47 bilhões; Hong Kong, US$ 2,03 bilhões; EUA, US$ 1,57 bilhão; Emirados Árabes, US$ 1,19 bilhão; Japão US$ 1,10 bilhão; Índia US$ 1,09 bilhão.

Os Emirados Árabes registraram a maior queda no volume importado (-22,7%), seguido da Índia (-16,8%) e do Japão (-11,4).

Exportação por regiões – US$ milhões

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