No ano do boi, foram registrados 6,5 milhões de bovinos em confinamento e recordes diversos

0
15

Com crescimento de 2% sobre 2020, o Censo de Confinamento DSM registrou 6,5 milhões de bovinos confinados. A esse número, somam-se outros recordes no setor, como valorização do preço da arroba para o segmento de corte, do bezerro na atividade de cria, e do leite. Os destaques também incluem aprovação de um aditivo que reduz a emissão de metano pelos ruminantes e o desenvolvimento do Sistema P@go, que atrela os produtos da marca Tortuga ao valor da arroba do boi, com preços travados por meio do indicador do Boi ESALW/BM&F.

Desse modo, o ano foi do boi e não apenas no calendário chinês. Nesse cenário, a pecuária brasileira mostrou sua força e importância para a economia brasileira, além de sua resistência às adversidades, às volatilidades do mercado nesse ano e aos desafios enfrentados pelos produtores.

No caso do negócio de Ruminantes da DSM, dona da marca Tortuga de suplementos nutricionais para animais – como informado aos jornalistas em encontro realizado em dezembro – mais uma vez foi possível comprovar para o produtor como e quanto as tecnologias melhoraram a produtividade, tanto da pecuária de corte, quanto da de leite.

Conquista importante para a empresa, de acordo com Sergio Schuler, vice-presidente do negócio de Ruminantes da DSM para a América Latina, foi a aprovação regulamentar total das autoridades brasileiras (e também das chilenas), em setembro de 2021, para a comercialização de um produto que “reduz de 30% a 80% a emissão de metano pelos ruminantes, evitando, em um ano, a emissão de 1 tonelada de CO2 por animal”. E complementa: “Teste realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) conduzido em 2016-17 mostra redução de até 55% de emissão de metano entérico, que é o metano produzido na digestão dos ruminantes e eliminado por eructação (arroto)”.

O aditivo começa a ser empregado neste mês (janeiro de 2022), em um parceiro da empresa em Rio Brilhante (MS). “O Brasil é o primeiro país a fazer uso da inovação. Essa é uma das respostas da DSM ao desafio para tornar a carne vermelha cada vez mais sustentável, com biodigestores, ILPF e insumos que reduzem as emissões pelos animais”, declara o executivo, informando que o produto é resultados de mais de 10 anos de pesquisa, testes em 45 testes em fazendas de 13 países, em quatro continentes, além de quase 50 estudos científicos independentes Os resultados dependem da dieta e da quantidade utilizada e são imediatos.

Recordes em preço

Na pecuária de corte, a retrospectiva do ano passa pelos recordes de preço da arroba do boi e do preço do leite, além do preço alto também para os bezerros na atividade de cria. No mercado da carne, esse ambiente é confirmado pelos números do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-USP) que, por exemplo, registrou recorde para a arroba em novembro, 13,6% acima do mesmo período do ano passado. Na pecuária de leite, o setor foi favorecido por vários cenários, como o crescimento em ritmo menor do que a demanda em alguns países relevantes para o segmento, a exemplo dos Estados Unidos, e o aumento do consumo de lácteos puxado pela retomada econômica em âmbito mundial, embora o mercado doméstico tenha retração dos índices de renda da população pelo momento desafiador da economia.

“Se, por um lado os preços recordes da arroba e do leite beneficiaram os pecuaristas, por outro, a alta dos custos produtivos desafiou a gestão e a resiliência dos produtores, que tiveram de lidar com a variação do dólar, aumento de preços do milho, da soja e de outros insumos”, comenta o vice-presidente do negócio de Ruminantes da DSM para a América Latina. E é nesse ambiente que o executivo avalia que a aplicação de tecnologias que aumentam a produtividade da pecuária tornou-se ainda mais evidente. “É possível dizer que os desafios impulsionaram a adoção de tecnologias nas fazendas, pois os produtores tiveram de manter o foco nos resultados em todos os ciclos, desde a cria, quando os suplementos ajudam a gerar bons bezerros, passando pela suplementação para buscar ganho de peso dos bovinos de corte e o aumento da produção das vacas de leite”, comenta Schuler.

Sobre as tecnologias do portfólio da marca Tortuga, o diretor de marketing do negócio de Ruminantes da DSM, Juliano Sabella, menciona algumas inovações relevantes e que melhoram os índices zootécnicos dos bovinos de corte e leite e a rentabilidade dos produtores. Destaque para os aditivos com ingredientes de alta tecnologia exclusivos da DSM que, combinados aos minerais Tortuga, favorecem o aumento da produtividade e inclusive a absorção mais rápida e eficiente dos macrominerais, melhorando o rendimento de carcaça, a produção de leite e os índices reprodutivos, além de elevar os índices zootécnicos e gerar benefícios de bem-estar animal e segurança alimentar.

Censo de Confinamento DSM registra 6,5 milhões de bois confinados
Estruturado pelo Serviço de Inteligência de Mercado (SIM) da DSM, o Censo de Confinamento DSM 2021 registrou 6,5 milhões de bovinos confinados. O número mostra um crescimento de 2% sobre o ano passado, quando o mapeamento da empresa identificou um total de 6,4 milhões de bovinos confinados, e 37% superior ao número de 2015, quando a empresa começou a fazer esse levantamento e contabilizou 4,7 milhões de bovinos produzidos nesse sistema intensivo. Para sua realização, “mais de 800 técnicos da empresa foram a campo”, garante Schuler, frisando que o censo considera inclusive o rebanho que não utiliza soluções da empresa.

Regionalmente, os três estados com maior rebanho confinado esse ano são Mato Grosso, São Paulo e Goiás, com 1,38 milhão, 1,12 milhão e 1,07 milhão de bovinos, respectivamente. O estado onde o confinamento mais cresceu, contudo, foi o de São Paulo, com alta de 17% sobre o ano anterior, quando foram anotados 959 mil animais confinados, com Paraná registrando alta de 16% (de 328 mil para 379 mil animais) e Mato Grosso do Sul com alta de 6% (de 753 mil para 798 mil animais). Com relação à retração, o número de bovinos confinados reduziu 16% no Pará (de 206 mil para 173 mil bovinos) e na região do MAPITO – Maranhão, Piauí e Tocantins (de 224 mil para 188 mil bovinos) e em Santa Catarina, onde caiu 13% (de 155 mil para 134 mil bovinos).

“O histórico de crescimento constante dos números do levantamento da DSM comprova que o pecuarista brasileiro está intensificando cada vez o seu sistema de produção sendo o confinamento uma ferramenta estratégica para melhorar a produtividade do rebanho e para auxiliar na introdução de tecnologias que impulsionam os resultados zootécnicos e a receita da fazenda”, avalia Hugo Cunha, gerente técnico nacional de Confinamento da DSM.

Proteção de preço para o produtor
Em um ano de muitas volatilidades em vários segmentos do mercado, a DSM reforçou a sua parceria com os produtores de carne e lançou o P@go. Com essa iniciativa, os produtos da marca Tortuga podem ser vendidos com o preço atrelado ao valor da arroba do boi (a “moeda” dos pecuaristas), com valores pré-estabelecidos por meio do indicador do Boi ESALW/BM&F, usado para liquidação futura de contratos negociados na bolsa de valores. Com esse modelo, a DSM gera previsibilidade para o preço dos seus produtos, que muitas vezes é impactado pelas variações do dólar, o que dificulta a garantia de preço futuro. “Ao atrelar nossos preços à moeda do pecuarista, que é a arroba do boi gordo, conseguimos assegurar o planejamento dos custos com a nutrição do rebanho”, conta Sabella.

Nesse modelo, caso o preço da arroba caia na data de pagamento do pedido, o produtor fica com a diferença do valor em crédito para uma próxima compra. Caso o inverso aconteça, contudo, o produtor não precisa pagar a diferença. “O P@go é um instrumento de mitigação de risco. O produtor nunca perde. Se o preço da arroba cai, ele é bonificado com o valor da diferença para a próxima compra. E se a arroba sobe, ele não precisa pagar essa diferença”, conta Sabella, frisando que a DSM consegue manter essa relação comercial em benefício dos clientes ao realizar operações para proteger-se das volatilidades do mercado, o que permite repassar essa proteção no preço dos produtos.

“Ao atrelar nossos preços à moeda do pecuarista, que é a arroba do boi gordo, conseguimos assegurar o planejamento dos custos com a nutrição do rebanho”, reforça Sabella, comentando que, lançado em junho, ainda é um solução financeira com pouca adesão: “Tivemos muita consulta e pouca adesão, mas agora, pode ser um momento para garantir o custo e ter retorno”.

Exemplificando, o diretor de marketing do negócio de Ruminantes da DSM, cita que “o custo diário de confinamento chega a R$ 270,00, e o custo da arroba alcançou os R$ 320,00, deixando lucro para o produtor”. Ao finalizar, garante que a maior adesão foi junto aos produtores de São Paulo e Paraná.

Foto: DSM