Manejo do solo contribui para melhores resultados na pecuária

Naturais ou cultivadas, tropicais ou equatoriais, as pastagens interferem diretamente na produtividade da cadeia de carne e leite. Por isso, infestações de plantas daninhas favorecem a degradação do pasto. Ou seja, elas interferem negativamente em pastagens, garante Andreza Cruz –  engenheira agrônoma da Sementes Oeste Paulista (Soesp) – , lembrando que há estimativas de que 60% dessas áreas de pastagens brasileiras apresentam algum estágio de degradação e a planta daninha é uma das causas mais importantes disso.

As causas, como explica a engenheira, envolvem a “competição por água, nutrientes, luz e da alelopatia (interações químicas entre as plantas), prejudicando o crescimento das forrageiras, com influência no período de formação, no rebrote da pastagem após o pastejo. Elas podem ainda arranhar os animais, desvalorizando o couro, e também ser responsáveis pela mortalidade de alguns animais, quando tóxicas”, explica.

Algumas medidas podem e devem ser adotadas a fim de amenizar os problemas. “As plantas daninhas em geral são fitoblásticas positivas, ou seja, quando há luminosidade no banco de sementes daninhas, a germinação é estimulada. Além disto, dois fatores contribuem diretamente ao surgimento de daninhas: porcentagem de solo descoberto e a quantidade de plantas. Com o manejo integrado você promove uma maior quantidade de plantas por metro quadrado e diminui a porcentagem de solo descoberto, reduzindo o surgimento de daninhas”, destaca Andreza Cruz.

Em sistemas integrados, a palhada serve como uma barreira física, impedindo que a luminosidade alcance as sementes das daninhas, o que reduz o estímulo da germinação. Além disso, os nutrientes (N, P e K) fornecidos pela palhada tendem a melhorar as características químicas do solo possibilitando um melhor estabelecimento e desenvolvimento das próximas culturas que serão plantadas. “Também há pasto de qualidade para os animais, que trarão como resultado maior rentabilidade da propriedade, maior diversificação da atividade, recuperação de áreas degradadas e formação de palhada”, conta a técnica da empresa.

A ausência de bom manejo favorece o desenvolvimento de cenário mais favorável ao aparecimento e infestação das daninhas. De acordo com a engenheira agrônoma da Soesp, “Na ausência de um bom manejo, elas têm vantagens adaptativas e se estabelecem com mais facilidade, pois a maioria de nossas pastagens não são nativas de nossas regiões, enquanto as plantas daninhas têm milhares de anos de adaptação”, Em outras palavras, isso significa que quanto mais chuva e calor, maior a ocorrência. Na região Sul do Brasil há menor incidência de plantas daninhas se comparada ao norte, por exemplo. O surgimento sessa vegetação também está ligado à degradação de pasto ou do solo, portanto quando o manejo da área é feito de maneira assertiva, o pasto tem total condição de competir e evitar o surgimento destas plantas indesejadas.

Planejamento – A profissional da Soesp destaca que tudo começa com o planejamento. Pode ser adotado o manejo com integração com milho e pastagem e isso deve começar na cultura antecessora, com o controle de possíveis invasoras, visando uma menor infestação futura. Para isso, são usados diferentes variedades de herbicidas, formulados por meio dos 17 ingredientes ativos, tais como Bentazon; 2,4-D; Acetochlor; Ametryn; Amicarbazone, Atrazine, entre outros.

No entanto hoje há aproximadamente 300 biótipos de plantas daninhas que apresentam algum grau de resistência a um ou mais mecanismos herbicidas, causando dificuldade de controle aumento do custo de aplicação. É aí que entram outras estratégias a serem consideradas. “Rotação de diferentes mecanismos de ação durante o processo produtivo/safras; rotação de culturas e adoção de sistemas de integração, responsáveis principalmente por formar palhada para a cultura seguinte; redução do banco de sementes das plantas daninhas durante a entressafra e uso da braquiária que tem efeito alelopático sobre a buva e sobre o capim-amargoso (que são resistentes ao glifosato)”, considera, citando que a brachiaria, por exemplo, libera substâncias químicas que impedem o desenvolvimento da buva. “Existem pesquisas que comprovam o controle de daninhas sem o uso de herbicidas nos sistemas integrados com anos de implantação função de anos de consórcio milho-braquiária. Além disso, Marandu e Piatã, por exemplo, têm um efeito alelopático maior em algumas plantas daninhas”.

O consórcio de culturas anuais com capim, como um sistema integrado, é opção listada por Andrezza Cruz para frear as daninhas. Ao fazer isso, o produtor terá melhor cobertura do solo em razão do aumento da palhada, assim ele consegue controlar a planta daninha com maior eficiência. Por exemplo, o capim amargoso, um sério problema em todo o Brasil e que é resistente ao glifosato, mas que pode ser controlada por meio da palhada, pois a semente precisa de luz para germinar, além de dificultar a dispersão das sementes de amargoso pelo vento.

Porém é importante ter atenção ao desenvolvimento das plantas para que uma cultura não atrapalhe o desenvolvimento da outra. No caso do milho, uma das combinações mais utilizadas é a mistura de atrazine com nicosulfuron. O atrazine irá controlar espécies daninhas de folhas largas. Já o nicosulfuron, aplicado em subdose (4 g i.a./ha), irá travar o desenvolvimento temporariamente das plantas de braquiária.

No fim, após a colheita do milho, há o restabelecimento da pastagem. “Independentemente das estratégias no manejo integrado da planta daninha, o produtor deve sempre partir do princípio que prevenir o desenvolvimento da planta daninha na área é “o melhor remédio”. Assim, ele conseguirá evitar problemas futuros bem maiores”, finaliza a engenheira agrônoma.

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