OPINIÃO – A semana que passou

A última sexta-feira marcou o último dia de um mês altamente turbulento para os mercados mundiais. Embora o resultado do PIB na quinta-feira, levemente acima do esperado, tenha injetado um ânimo de última hora na veia dos investidores, foi o acirramento da guerra comercial que se fez presente nas negociações no decorrer de agosto.

Tanto China quanto Estados Unidos decidiram aumentar as tarifas de importação que cobram um do outro.

Os Estados Unidos anunciaram primeiro, no início do mês. A China anunciou retaliação. A Casa Branca retaliou a retaliação chinesa. E o mercado ficou contente em saber que os chineses se abstiveram de contra-atacar, ao menos por enquanto.

Além da guerra comercial, outros fatores contribuem para a queda nos preços das ações brasileiras e o avanço do dólar ante o real, entre eles a saída dos investidores estrangeiros da nossa bolsa, a preocupação com a recuperação lenta da economia, o nível relativamente baixo dos juros por aqui e a perda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro fora de sua base mais fiel.

Por todos estes fatores, setembro será particularmente relevante. Neste mês o acirramento das tensões entre Estados Unidos e China vira realidade, pois entram vigor mais tarifas de importação. Isso pode prejudicar ainda mais o crescimento da economia global.

Também deve começar a etapa final de tramitação da reforma da Previdência no Senado. Se for aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça na semana que vem, o texto irá a plenário em seguida.

Se for repetido o roteiro de 2003, quando o governo propôs uma reforma da Previdência e também usou o artifício da chamada PEC paralela para fazer modificações adicionais ao texto sem devolvê-lo inteiramente à Câmara, há chances de o Senado aprovar a reforma ainda este ano.

Por último, setembro deve trazer também um momento importante em termos de política monetária para o Brasil. O Banco Central do Brasil pode se ver dividido entre cortar os juros novamente – acompanhando as ações de bancos centrais no exterior – ou manter a taxa intacta para evitar uma desvalorização ainda mais profunda do real e, por tabela, o fortalecimento da inflação.

*Análise realizada pela Agência CMA.

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