ESPECIAL – Resultado recorde da última safra e projeções mundiais são favoráveis ao café brasileiro

“É com grande satisfação que anunciamos o fechamento do ano-safra 2018/2019 com volumes que registram um recorde histórico. Os resultados refletem a excelência do agronegócio café do Brasil, a eficiência do comércio exportador, os investimentos em pesquisa e inovação, bem como o comprometimento rigoroso com a sustentabilidade, tanto em relação ao meio ambiente quanto à responsabilidade social junto aos produtores. Dessa forma, o Brasil atende às exigências do mercado externo, tanto no quesito qualidade quanto na sustentabilidade. O Brasil está pronto para responder a crescente demanda mundial, com a perspectiva de atingir 40% de market-share nos próximos anos. Comemoramos ainda o acordo comercial firmado entre Mercosul e UE que, sem dúvidas, será uma importante contribuição para a expansão do admirado cafezinho brasileiro no mundo”. Essa declaração de Nelson Carvalhaes, presidente do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), durante coletiva para a imprensa realizada em 8 de julho, na sede da instituição, resume o balanço da última safra e as expectativas para os próximos dois ou três anos.

Carvalhaes também frisou que o consumo de café no mundo é crescente, principalmente em países do Oriente, como o Japão, que, no ano-safra 2018-2019 ampliou em 48,55% o volume importado do Brasil, em relação ao mesmo período anterior, totalizando mais de 2,7 milhões de sacas de 60 kg, mantendo-se na quarta posição entre os principais compradores do café brasileiro, atrás dos Estados Unidos, Alemanha e  Itália. Crescimento significativo nos destinos do café produzido no Brasil também foi registrado com relação a Bélgica (64,25%), Reino Unido (57,14%) e Turquia (40,40%). 

No balanço do ano-safra destacam-se, ainda, as vendas de café verde para países produtores, como a Colômbia, que adquiriu quase 600 mil sacas, volume 1.571,3% superior ao período anterior, quando importou apenas 35,5 mil sacas. O presidente do Cecafé credita esse crescimento a campanhas de incentivo ao consumo do café por parte daquele país, pois, enquanto o brasileiro consome mais de 6 quilos de café verde em grão – o equivalente a cerca de 5 quilos de café torrado e moído ou 81 litros da bebida – o colombiano situa-se próximo a 2 quilos por habitante.

Esses números podem influenciar as projeções de consumo até 2030. O Cecafé, com base nas perspectivas da Organização Internacional do Café (OIC), trabalha com três cenários, sendo que o mais otimista é de até 2030 o consumo mundial anual chegar a 221,42 milhões de sacas (atualmente é de 164,64 milhões de sacas). Caso países como China e Índia ampliem seu consumo – o que é visto como provável – é possível acontecer surpresas muito positivas, estima Carvalhaes.

Ano-Safra 2018/19 – O Brasil exportou um total de 41,1 milhões de sacas de café no encerramento do ano-safra 2018/19 (julho de 2018 a junho de 2019). O volume representa um recorde histórico de exportações brasileiras para o período e um aumento de 35% em comparação com o ano- safra 2017/18, quando foram exportadas 30,5 milhões de sacas de café. Os dados, que consideram a soma das exportações de café verde, solúvel e torrado & moído, são do Cecafé – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil. A receita cambial no ano-safra 2018/19 foi de US$ 5,3 bilhões (equivalente a R$ 20,8 bilhões), representando também um aumento de 9,8%, em relação ao mesmo período anterior. Já o preço médio foi de US$ 131,14, queda de 18,7% em relação ao ano-safra 2017/18.

Entre as variedades embarcadas de julho de 2018 a junho de 2019, o café arábica representou 81,7% das exportações, com a exportação de 33,6 milhões de sacas; o solúvel, 9,5% (3,9 milhões de sacas) e o robusta, 8,8% (3,6 milhões de sacas). Na comparação com o ano-safra 2017/18, o Brasil exportou 27,9% a mais de café arábica, 11,3% a mais de café solúvel e 429,1% a mais de café robusta.                      

Especificamente no mês de junho deste ano, o Brasil exportou 2,9 milhões de sacas de café, crescimento de 12% em relação ao mesmo mês do ano passado e maior volume para um mês de junho nos 

últimos cinco anos. A receita cambial no mês chegou a US$ 340,3 milhões, queda de 10,9% em relação a junho de 2018, enquanto que o preço médio foi de US$ 117,64, decréscimo de 20,5% em relação ao mesmo período de 2018. Em relação às variedades embarcadas em junho, 75,8% das exportações no mês foram de café arábica, com 2,2 milhões de sacas exportadas; 10,7% das exportações foram de café solúvel (311 mil sacas) e 13,3% foram de café robusta (385 mil sacas).

Ano civil – No acumulado do ano civil (janeiro a junho de 2019), o Brasil exportou 20 milhões de sacas, configurando, também neste caso, recorde histórico  para o período. O volume representa um crescimento de 37,4% na comparação com o primeiro semestre de 2018. A receita cambial no período foi de US$ 2,5 bilhões, aumento de 10,5% em relação ao período de janeiro a junho de 2018. Já o preço médio foi de US$ 125,52, decréscimo de 19,6% na mesma base comparativa com 2018.=

Principais destinos – No Ano Safra 2018/19, os principais destinos do café brasileiro foram, na ordem: os Estados Unidos, com a exportação de 7,5 milhões de sacas (18,3% dos embarques totais no período); Alemanha, com a exportação de 6,6 milhões de sacas (16,1%); Itália, com 3,7 milhões de sacas (8,9%); Japão, com 3 milhões de sacas (7,4%); Bélgica, com 2,8 milhões de sacas (6,7%); Reino Unido, com 1,3 milhão de sacas (3,2%); Turquia, com 1,2 milhão de sacas (2,9%); Federação Russa, com 974 mil sacas (2,4%); Canadá, com 919 mil sacas (2,2%); e Espanha, com 843 mil sacas (2,1%).

Todos os dez principais destinos apresentaram, quando comparado ao ano-safra 2017/18, crescimento no consumo de café brasileiro, sem exceções. Entre eles, destaca-se o Reino Unido, que importou 57,1% a mais de café brasileiro; Japão, com crescimento de consumo de 48,5% e Turquia, com crescimento de 40,4%.                          

Ano civil – Já no acumulado do ano civil (de janeiro a junho de 2019), os Estados Unidos se mantiveram no posto de principal consumidor do café brasileiro, com 3,7 milhões de sacas exportadas para o país, o que representa 18,7% das exportações do Brasil no período.  A Alemanha foi o segundo país que mais consumiu café brasileiro, com 3,3 milhões de sacas exportadas e 16,5% de participação nas exportações. Os demais principais destinos foram, respectivamente: Itália, com 1,9 milhão de sacas (9,6%); Japão, com 1,5 milhão de sacas (7,7%); Bélgica, com 1,2 milhão de sacas (6,1%); Turquia, com 649 mil sacas (3,2%); Reino Unido, com 578 mil sacas (2,9%); Federação Russa, com 499 mil sacas (2,5%); Canadá, com 438 mil sacas (2,2%) e Espanha, com 437 mil sacas (2,2%). Ressalta-se que, no primeiro semestre deste ano, as exportações para os dez principais destinos também apresentaram crescimento (em relação ao período de janeiro a junho de 2018). Os destaques, neste caso, foram para o Japão, que consumiu 55,3% a mais de café brasileiro; seguido pela Espanha, que importou 52,9% a mais de café e Estados Unidos, com crescimento de 47,3% no consumo em relação ao primeiro semestre de 2018.

Diferenciados – O Brasil exportou, no ano-safra 2018/19, 7,7 milhões de sacas de café ante 5,4 milhões de sacas exportadas no ano-safra 2017/18, apresentando um crescimento de 42%. Os dez principais destinos de cafés diferenciados no período, que representam 81,3% dos embarques do tipo de café, foram: Estados Unidos (1,7 milhão de sacas), Alemanha (1 milhão de sacas), Japão (939 mil sacas); Bélgica (741 mil sacas), Itália (727 mil sacas), Reino Unido (290 mil sacas), Canadá (285 mil sacas), Holanda (216 mil sacas), Suécia (202 mil sacas) e Espanha (153 mil sacas). Já no acumulado do ano civil (de janeiro a junho 2019) foram exportadas 3,9 milhões de sacas de cafés diferenciados, o que representa crescimento de 56,9% ante os 2,5 milhões de sacas embarcadas no mesmo período de 2018. Neste caso, os principais destinos, que representaram 81,4% dos embarques de cafés diferenciados no período, foram: Estados Unidos (902 mil sacas), Japão (505 mil sacas), Alemanha (499 mil sacas), Bélgica (375 mil sacas), Itália (340 mil sacas), Canadá (159 mil sacas), Suécia (113 mil sacas), Reino Unido (112 mil sacas), Espanha (81 mil sacas) e Holanda (73 mil sacas).

Portos – No Ano Safra 2018/19, o porto de Santos foi o que concentrou a maior parte das exportações, com 78,9% do volume embarcado (equivalente a 32,4 milhões de sacas). Na sequência está o Rio de Janeiro, com 12,8% dos embarques (5,3 milhões de sacas) do período. O mesmo quadro foi computado no período de janeiro a junho de 2019, com os portos de Santos e do Rio de Janeiro seguindo na liderança da maior parte das exportações: 78,5% do volume embarcado no período (equivalente a 15,8 milhões de sacas) foram exportados a partir do primeiro, enquanto que 12,2% das exportações (2,4 milhões de sacas) foram exportados a partir do segundo.

O relatório completo das exportações de café referente ao encerramento do Ano Safra 2018/19 e ao mês de junho está disponível no site do Cecafé: http://www.cecafe.com.br/.

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