O QUE ACONTECEU NA AGRISHOW – Armazenagem: um gargalo a ser vencido

Anualmente, ao redor de 1,2% da produção agrícola de grãos é perdida devido a dificuldades com armazenagem e transporte, seja nas propriedades, nas cooperativas e até nos entrepostos. O percentual pode parecer pequeno, mas, quando se considera a mais recente estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada em 11 de abril de 2019, que trabalha com safra de 235,3 milhões de toneladas de grãos – volume 3,4% superior ao da safra passada – os números se tornam significativos.

Os dados da armazenagem, em contrapartida, continuam preocupantes, pois o aumento da capacidade instalada não reduz a desproporção em relação à safra. Em 1990, por exemplo, o Brasil produzia 75 milhões de toneladas de grãos e tinha capacidade de armazenagem de 83 milhões. Na safra passada (2016/17), segundo dados oficias da Conab, a safra ultrapassou os 232 milhões de toneladas de grãos, mas a capacidade para armazenagem fora das fazendas, era de 158 milhões de toneladas.  Há outros números impactantes: enquanto a produção agrícola brasileira em 2017 cresceu 30%, a da Argentina cresceu 10%; dos EUA, 5%; e a do Canadá teve queda de 2%. Mas quando o assunto é armazenagem em silos, a relação é outra: na Argentina, 40% das fazendas possuem armazéns para os grãos produzidos, percentual que nos EUA são 65% e no Canadá, 60%, ficando o Brasil com apenas 16%.

Segundo os resultados percebidos durante a Agrishow 2019, as empresas do setor de armazenagem estão otimistas. Alguns expositores do setor presentes ao evento revelaram a realização ou o início de negociações na feira.

José Antonio Basso, diretor-comercial da Waig, participou da feira pela 24ª vez e, segundo ele, a expectativa é atingir um aumento da ordem de 43% em relação ao evento de 2018. A estimativa foi baseada nas vendas realizadas nos três primeiros dias do evento. 

Outra empresa que se mostrou satisfeita com a visitação em seu estande foi a Comil, que produz silos e secadores. “A feira deste ano está melhor do que a do ano passado e acreditamos num crescimento de cerca de 25%”, afirmou Rogério Spacht, gerente comercial. Estreante na feira, a Horbach fabrica silos, secadores e equipamentos para armazenagem de grãos, e seus dirigentes saíram da feira eufóricos com os resultados, situados por eles como “além das nossas expectativas quanto a contatos, vendas e pela exposição da marca”, resumiu o gerente comercial Flávio Bittencourt.

Erli Vincensi, gerente-comercial da Saur Equipamentos, fabricante de tombadores e coletores de amostras, ficou surpreso ao concretizar negócios na Agrishow. “A movimentação está boa, acima da média dos últimos três anos”, disse Vincensi. Para a Luiz Felipe Leidens, coordenador de Marketing da Kepler Weber, a rede privada de instituições financeiras está suprindo as necessidades de crédito do segmento. “A feira está movimentada, sempre é interessante para prospecção e está dentro de nossas expectativas”, afirmou. Também Edmundo Neves, coordenador-comercial da unidade agroindustrial da TMSA, demonstrou otimismo com a tendência de crescimento nos próximos meses e com a cobertura por parte dos bancos privados. 

Soluções – Entre as soluções apresentadas estão medidores de umidade de grãos de bancada Gehaka G2000, que é aprovado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e proporciona dados precisos para a comercialização de grãos, como o percentual de umidade e a temperatura. Além do índice de umidade, o relatório de medida da amostra, emitido por uma impressora acoplada, contém outras informações de valor. Por exemplo, a temperatura dos grãos é obtida e comparada à temperatura do instrumento de medição. O produto conta com tecnologia IoT, que permite que as curvas de calibração, controladas pelo Inmetro, sejam atualizadas pelo próprio usuário, utilizando de forma simples e rápida um programa gratuito disponível na Internet. O aparelho é gerenciado por um microprocessador tipo ARM Cortex de última geração, pelo qual comanda três dispositivos: o sistema de pesagem automática, que mede o peso exato da amostra; o termômetro digital, que indica a temperatura da amostra e do instrumento; e um capacímetro, que determina o teor de umidade do produto.

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