ARTIGO – Agrishow 2019: o que experienciei em três dias

Katia Penteado*

Há quatro anos, durante três dos cinco dias de evento, participo da Agrishow – Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação – em uma rotina bastante intensa, que me favorece contato com os expositores, tanto nos estandes, quanto nos eventos paralelos. Neste ano, em que foram comemorados os 25 anos da exposição, muito a ressaltar, e que vem merecendo destaque no GestAgro 360° desde fevereiro e mais intensamente desde meados de abril.

Novidades foram muitas. De lounge jurídico, Arena do Conhecimento (com palestras, reuniões e encontros), Arena de Inovação (com agetechs), Arena de Soluções Agro com Arena do Produtor Artesanal, até a Arena de Demonstrações de Campo, que ganhou o  Espaço HF, um espaço para hortaliças com curadoria da Coopercitrus. Somaram-se a isso, lançamento de livro dos 25 anos, prêmio Trator do Ano. Disseminação de conhecimento é atividade facilmente encontrada na Agrishow, seja promovida pelas empresas, seja pelas entidades de classe representativas do setor. Por exemplo, aconteceram dois bate-papos de Mulheres do Agro, promovidos pela Valtra, com temas específicos – Gestão de Mulheres no Agro e Mecanização e  Mulheres do Agro –; Seminário de Agronegócios, da Amcham; Fórum Inovação da Abag em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo enfocando o campo e as necessidades dos produtores rurais em ter avanços tecnológicos e digitais; e debate sobre o protagonismo do Brasil na produção de proteína animal , realizado pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo em parceria com o Grupo Pecuária Brasil – GPB, entre muitos outros.

Lançamentos não faltaram… Estavam expostas 800 marcas com incontáveis novidades: em cada estande, são lançamentos e mais lançamentos, que na 26ª edição, foram além de máquinas, implementos, drones, nutrição vegetal e animal, plantio, sementes e soluções tecnológicas para a agropecuária. O destaque principal – e essa é uma constante que vem crescendo nos últimos anos – fica com a conectividade, em todos os níveis, possibilidades e com as mais diversas finalidades. Afinal, não há digitalização do campo, agricultura conectada, diálogo entre as máquinas, agricultura de precisão fundamentando decisões em tempo real, como instrumento de ganhos em produtividade, se a tecnologia embarcada nas máquinas e equipamentos utilizados no campo não gerarem informações e relatórios gerenciais, por exemplo.

O assunto tem porquê merecer a atenção – e os investimentos – de tantas empresas. Os números, aliás, fazem brilhar os olhos de muitos. Segundo a Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP), 67% das propriedades agrícolas no Brasil já adotaram algum tipo de inovação tecnológica, dentro ou fora do campo, em busca de maior eficiência e produtividade, gestão e interação com a operação. Por outro lado, apenas 2% das áreas agrícolas são conectadas, ou seja, há 500 mil fazendas e 50 milhões de hectares a cobrir, sem contar as mais de 5 milhões de pessoas sem celular.

Exemplos são muitos, vindos dos fabricantes de máquinas e implementos, de startups, de fabricantes de nutrição vegetal e animal, entre outros. Eu, no entanto, destaco aqui duas novidades, por tenderem à universalização. 

A primeira, institucional, fica com o BDCA (Banco de Dados Colaborativo do Agricultor) desenvolvido pela Abimaq, em parceria com a Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Shunji Nishimura, em Pompeia (SP), especializada em agricultura de precisão, que resulta de cooperação entre empresas de máquinas e implementos agrícolas associadas à entidade. A meta é unir e consolidar todos os dados de máquinas e sensores de diferentes marcas em um único local para que o agricultor não dependa do sistema de um único fabricante para a visualização. Os dados são armazenados com toda a segurança e administrado pela ABIMAQ de modo que a propriedade dos dados é exclusiva do agricultor, que tem autonomia total para autorizar o acesso aos dados a partir de diferentes plataformas. Em fase de desenvolvimento de projeto-piloto, até 2020 deve ser aberto à participação de outras empresas, associadas ou não à entidade. Neste primeiro momento – de execução de testes reais com a coleta de dados de plantadeiras, colheitadeiras e pulverizadores para a geração de mapas sobre área adubada, quantidade de sementes plantadas, velocidade das máquinas, entre outros parâmetros – participam Baldan, Jacto, Jumil, Marchesan, Miac, Stara e Vence Tudo.

ConectarAgro é outra experiência que merece atenção e ganha forma. Iniciativa conjunta de AGCO, Climate FieldView, CNH Industrial, Jacto, Nokia, Solinftec, TIM e Trimble, busca promover a adoção de soluções abertas, inicialmente com a utilização da rede 4G na faixa de 700MHz, tecnologia global que permite a cobertura mais eficiente no campo. Com isso, será favorecida a criação de um ecossistema de acesso à internet móvel nas mais diversas regiões agrícolas brasileiras, cumprindo o objetivo do ConectarAgro, que é fomentar a expansão da cobertura e alcançar cerca de 5 milhões de hectares até o final do ano, o que representa cerca de 10% da área cultivada brasileira, beneficiando agricultores e propriedades de todos os portes, com benefícios que se estendem ao entorno e às cidades próximas. O custo estimado pelo grupo desenvolvedor do projeto, para implantação da tecnologia, é de até meia saca de soja por hectare.

A força do agronegócio pode ser medida pelos números (cerca de 23% do PIB, com mais de US$ 101 bilhões exportados em 2018,, tem ao redor de 42% das total das vendas brasileiras no mercado internacional, constituindo-se também, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o principal gerador de empregos). E a atração que exerce sobre empresários, financistas, consultores, é incontestável. Nesse cenário, os políticos também buscam seu espaço e fazem da Agrishow um palco para reuniões, debates, discursos e, quando é época, campanha. Neste ano,  destaque para a  abertura, no dia 29 de abril, às 10h, que teve entre os personagens o presidente Jair Bolsonaro; a ministra Tereza Cristina da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; o ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente; o General Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional; o governador João Dória, de São Paulo; assim como Gustavo Junqueira, secretário de Agricultura do Estado de São Paulo; Duarte Nogueira, prefeito de Ribeirão Preto, além autoridades do governo federal, estadual e de Ribeirão Preto, assim como senadores e deputados federais e estaduais, entre outras autoridades e lideranças do setor, sem contar representantes dos principais bancos que financiam o agro (Bradesco, Santander, Sicredi, Sicoob) e presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes. O importante é que por mais que as presenças sejam políticas, os atores do agronegócio – os agricultores – saem beneficiados. A ênfase nesta edição ficou com o anúncio de mais de R$ 500 milhões para o Moderfrota do Plano Safra em andamento; de R$ 1 bilhão para o seguro rural do próximo ano agrícola, que será oficialmente lançado em 12 de junho de 2019; e de mais R$ 1 bilhão em financiamento do Banco do Brasil.

Ao longo dos cinco dias do evento, outros momentos também foram palco para debates sobre os rumos do País, da economia e do agronegócio, e não propriamente nesta ordem, como reunião de integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) com dirigentes da Agrishow 2019, que debateram Seguro Rural, Código Florestal, Fundo de Aval Fraterno, Patrimônio de Afetação, Licenciamento Ambiental e também a Campanha Agrosaber; 1º Fórum de Prefeitos.

Também tomei contato com o programa Rorais, desenvolvido pela Fundepag (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio), com coordenação de Carlos Henrique Paes de Barros e apoio da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Este se constitui programa que visa a dar endereço às propriedade rurais de São Paulo e deve se estender a outros Estados. Mas este é um outro assunto, para outra matéria… Aguarde, que vêm novidades aí. 

Os resultados finais computados mostram alta na realização de negócios entre expositores e compradores ao redor de 6,4% em relação ao ano passado, totalizando valor próximo a R$ 2,9 bilhões. Por segmento, a intenção de compra de máquinas é: grãos, frutas e café (+5%), pecuária (+4%), irrigação (+35%) e armazenagem (-13%). Em termos de visitação, a Agrishow 2019 recebeu um total de 159 mil pessoas, em sua maioria, compradores e produtores rurais de pequeno, médio e grande porte, provenientes de todas as regiões brasileiras e também de outros países. A 20ª Rodada Internacional de Negócios reuniu 15 compradores, procedentes da Argentina, Austrália, Chile, Colômbia, Etiópia, México, Nigéria e Peru, com 52 empresas brasileiras, em uma ação de promoção comercial que resultou em mais de US$ 32.926 milhões, entre negócios fechados e futuros para os próximos 12 meses. Esse valor representa alta de 60% em relação à mesma ação realizada na Agrishow 2018. Denominada Projeto Comprador, a Rodada Internacional de Negócios foi organizada pelo Programa Brazil Machinery Solutions, uma parceria entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Abimaq.

Você que está lendo esta minha reflexão, pode se perguntar: e onde estão os lançamentos? Durante as últimas semanas, GestAgro 360º tem trazido muitas matérias sobre isso e, ao longo desta semana, outras virão. Isso porque minha intenção com esse resumo é passar um pouco do que vivo e experiencio todos os anos na Agrishow. Alegria, trabalho, realizações, cansaço, amizade, mais trabalho, colaboração, pouco sono, correria e tantos outros sentimentos se mesclam, revigorando-me, estimulando-me a prosseguir e comprovando: o agro abre espaço para muitos, mas só ficam os que são tenazes e persistentes, com um lema na vida: contribuir para alimentar o planeta com equidade, e esse não é um clichê, mas realidade. Também objetivo despertar em você que nunca foi à Agrishow o desejo de ir já em 2020, no período de 27 de abril a 1 de maio.

Minha participação nesses quatro anos acontece como integrante do pool de imprensa organizado pela Mecânica Comunicação Estratégica, que reúne jornalistas de todo o País e da América Latina (desta vez, foram três argentinos, de um total de 33 profissionais de 31 veículos diferentes). As empresas patrocinadoras do pool de Imprensa foram: Case IH, Caterpillar, ConectarAgro, FCA (Fiat, Jeep e Ram), Fendt, FPT Industrial, Grupo Bosch, Massey Ferguson, New Holland Agriculture, Nissan, Santander, Sicredi e Valtra. Destaque, também para o apoio das entidades do segmento do agronegócio no País, responsáveis pela Agrishow – Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e Sociedade Rural Brasileira (SRB), além da Informa Exibitions, organizadora da Agrishow.

*Katia Penteado é editora do GestAgro 360° e jornalista responsável pela revista Máquinas & Equipamentos, resultado de parceria entre Public Projetos Editoriais e Abimaq

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